Já passou uma semana. Uma semana de muita dor, melancolia, recordações dolorosas que insistem em vir ao nossa pensamento, como aqueles malditos mosquitos numa noite de campismo. Para ser sincera eu não quero que as nossas recordações passem a ser vistas ou entendidas como, por exemplo, uma simples ida ao cafe com amigos. Desculpa, não quero. Amigos. Que ironia. Bem, é o que nós somos agora e melhor isso que nada. Mas tu sabes, tu sabes que não queria isto, tu sabes que tínhamos quase tudo para resultar e para ir mais além do que isto. Não me conformo, mas acho que nesta altura é melhor fingir que sim.
Domingo foi o dia D. O dia em que isto tinha, supostamente, de acontecer. Não pedi que assim fosse, mas mal cheguei, percebi que nem tu, nem eu estávamos bem. Eu ja te conheço. 1 ano e meio não é uma vida, mas é uma parte significativa dela.
Não queria que nada disso tivesse acontecido. Queria ter conseguido mudar esse teu sentimento continuo de confusão, que te atormeta(va) e não te deixa viver, comigo. Sinto-me magoada. Não vou fingir que não. Magoada por teres escolhido a maneira mais fácil de lidar com as coisas. Escolheste aquilo que querias no momento, o que te parecia melhor. Não te condeno. Percebo-te e espero que percebas que tambem tenho o direito a estar magoada.
Sinceramente, foi 1 ano e meio muito bom, cheio de boas recordações e memórias, que por nossa culpa, por tua culpa, por minha culpa, magoam e não mais se vão repetir.
Não me quero esquecer disto. Não quero de todo que te esqueças disto. Não te esqueças dos dias do Vagos em que jogamos volei, em que procurámos pokemons, onde ficaste comigo durante um mosh porque eu estava cansada, quando te pus pomada e te fazia festinhas enquando dormias. Não te esqueças da primeira vez que nos vimos e falaste da minha capa de telemóvel, do facto de apontares temas para falarmos e da primeira vez que nos sentamos na mesa mais próxima à televisão no tuisca. Não te esqueças do nosso primeiro abraço, das nossas a entrelaçarem-se. Por favor, não te esqueças do nosso primeiro beijo. Não te esqueças de mim e do que fomos.
Não queria nada que as coisas estivessem assim. Queria mudar de rumo. Queria inverter tudo isto e fazer-nos feliz. Não me deste uma única oportunidade e claro, estou magoada. Não te quero prender a mim. Queria que, inevitavelmente, tu ficasses preso a mim e não me deixasse ir. Não, que não fosses embora. Queria que tivesses saudades minhas, tal como tenho tuas. Sim. Tenho muitas saudades tuas. Nossas.
Não escrevo isto com o intuito de te comover, de te fazer mudar de ideias porque infelizmente sei que tal não vai acontecer. Precisa de me libertar, de matar saudades tuas. Nem sei se vais ler isto. Se quiseres, tens toda a liberdade para tal. Se não, eu compreendo, também foi muito doloroso escrever isto.